terça-feira, 23 de agosto de 2016

EM BUSCA DA IGREJA PERFEITA!

Certa vez fui visitar uma irmã que eu já tinha escutado que ela não parava em igreja alguma. não conseguia se firmar, pois o seu olha estava sempre voltado para as imperfeições das pessoas, criticava bastante àqueles que fraquejavam na fé e acabavam cedendo às tentações. Quando cheguei em sua casa fui bem recebido. logo depois de muitas conversas ela me disse: "Pastor a igreja deveria ser perfeita", olhei firmemente para ela e disse "não deveria ser perfeita minha irmã", ela tomou um choque. em seguida respondi, por que a igreja não deveria ser perfeita, pois qual o ser perfeito precisaria de Deus? a igreja é um hospital onde há muitos doentes, feridos, machucados. Onde carecem do cuidado daquele que é perfeito Deus!deixei claro para ela que todos nós estamos em construção, e chegaremos a estatura de varão perfeito (maturidade), quando amarmos de fato uns aos outros.

Pastor

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Fogo no monte

Na ocasião vivia numa cidade pequena, onde os jovens das diferentes igrejas mantinham uma boa relação. Havia o grupo sério e os do retété, estes amavam subir num dos montes da cidade na madrugada para orar e ver as "maravilhas", eram nestas idas ao monte que alguns casais de namorados sumiam no breu da noite e apareciam depois de algumas horas, o motivo dos desaparecimentos descobrimos nove meses depois com o surgimento das "irmãs grávidas". Não faltava fogo naqueles montes.


Pastor

Fervorosa na igreja, negligente em casa


Havia uma irmã na igreja, daquelas fervorosas. Líder do grupo de oração das senhoras, diaconisa, líder da cantina e por aí vai. Mas a pobre irmã não tinha o marido crente. Um belo dia recebo um telefonema de que o  pau estava as quebrando na casa da irmã e o marido já havia dado-lhe um tapas. Quando chego o marido leva-me para ver o estado da casa, uma bagunça. Louças pó para todo lado na cozinha, pilhas de roupa para lavar e passar, as crianças com fome, tudo porque a irmã estava tão envolvida com a igreja que negligênciou a família. A irmã foi tirada de quase todos os trabalhos da igreja e recomendada a cuidar da casa.

Pastor

Deus me disse

Um hábito comum entre os crentes mais afoitos está a famosa frase: "Deus me falou…" Na verdade esta frase serve para tudo o que o crente quer fazer mas não as quer opinião contrária. O pior é quando chegam para conversar conosco, pastores, e já começam o assunto com esta frase. Aprendi neste caso a limitar-me a ouvir, quando perguntam minha opinião digo que não posso dizer nada e contradizer a Deus. O pior caso é no de casamento. Geralmente no final dá tudo errado e a pessoa ainda vem dizer que um e não compreende os planos de Deus. Nesta hora digo: "É fácil entender, Deus não te disse nada!"


Pastor

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Pastor e a tentação


Como homens estamos constantemente expostos à tentações de toda natureza. Em minha experiência, as mais difíceis e constantes são as financeiras e sexuais.

A primeira tenho resistido ao tomar a decisão de não lidar com dinheiro que não seja meu próprio. Nem na igreja, nem em comissões ou organizações eu aceito cargos que lidam com dinheiro. Acredito que agindo assim me preservo.

A tentação sexual é outra que nos bate a porta constantemente, seja através de propostas que nos são feitas, seja através de nossas carências, seja através de uma oportunidade que surge para fazermos o que não devemos, seja através da pornografia, seja através de mulheres carentes e oportunistas, seja através de mulheres obstinadas. As vezes, por mais que fujamos ou resistimos, o sexo fora do casamento sempre nos bate à porta.

Dou graças à Deus por nunca ter caído numa destas oportunidades, mas confesso que a força com que estas tentações surgem é imensa. O que requer de nós, oração, amizades e vigilância.

Pastor

Cargo por dinheiro


Uma proposta indecorosa que recebi uma vez, foi de um colega que desejo de fazer parte de um ministério com o qual eu estava envolvido, ofereceu-me um valor mensal em troca de uma posição na comissão do ministério. Como não havia possibilidade alguma de incluí-lo, perdi também o amigo.

Pastor

Visitas pastorais

Este negócio de fazer visitas, coisa de pastor à moda antiga, nem sempre é uma experiência agradável. Acontece de tudo, sabe aquele briga de casal mal resolvida, e que você chega e um dos cônjuges subtilmente pergunta: "- Pastor, o que o senhor acha disto?" Lançando para nós aquela pergunta que foi motivo da briga da noite anterior. O pastor mal terminou seu café, e já se vê envolvido no meio da confusão. Foi golpe baixo!

É ainda há aquelas casas onde os donos mantém um daqueles cãozinhos chatos e "endemoniados" que não nos deixam em paz, há aqueles que basta olhar para eles que as pestes mostram os dentes. E a família fica: "Pode passar a mão pastor, ele não morde!" Já cheguei a conclusão que todo cachorro com menos de 20cms de altura e 40cms de comprimento, é usado por Satanás para provar o pastor.

Sem contar as "delícias que o pastor precisa provar". Uma vez deram-me uma beringela assada recheada com carne, um horror, que você como querendo a morte. É por aí vai!

Uma irmã insistiu muito para que eu fosse fazer uma visita, cheguei lá e fui enjaulado numa sessão destas empresas que vendem produtos tipo pirâmides financeiras, e o pior, o cão de Satanás estava lá!


Pastor

Benzer


Crente tem um negócio de benzer as coisas, aí metem o pobre do pastor no meio. Um dia destes fui chamado para benzer um carro. A dona do carro novo, nunca fora crente de verdade, nunca socorreu ninguém com seu carro, nunca deu carona para ninguém, tnha um carro benzido para fazer inveja nos crentes.

Esse negócio de benzer já virou doutrina, não há quem tire isto da igreja. Então para não ser mal educado a gente sai benzendo as coisas conforme elas aparecem. Benzer casa, benzer apartamento, benzer criança, benzer curso, benzer loja, benzer empresas, máquinas, etc.

O negócio fica bem benzido se puder untar com azeite a coisa, aí, a crendice popular aflora, parece que o Diabo tem medo de azeite.

Um crente benzido e untado torna-se um escudeiro fiel. Negar uma benzida gera uma guerra dos diabos.

Um dia fui chamado para benzer um senhor de idade, que apesar da intervenção bendita, veio a falecer. Fiquei com fama de agoreiro no bairro, nunca mais fui chamado para benzer nada por ali.

Pastor

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Lugar de baitola é na igreja

Infelizmente na realidade existe ainda muita homofobia na sociedade e na igreja. E talvez para o espanto de muitos todo baitola (homosexual) - termo que aqui uso por força do hábito e sem intenção alguma de ofender, inclusive aproveito a oportunidade para explicar a origem da palavra que é bem simples: baitola é uma palavra indigena usada na época do Brasil colônia que definia os habitantes dos Baitos. Baitos eram locais um pouco afastados das Tabas, onde os índios levavam àqueles individuos de sua tribo mais afeminados, ou seja viados, para lá viverem. Então diziam: "- Ele é baitola, leva pra outra tribo." - mas como eu dizia, para espanto de muitos, nunca encontrei um baitola ateu. Não podemos pegar por exemplo estes gays militantes, das paradas gays, que querem é apenas chocar e chamar a atenção e ridicularizar o evangelho. 

Em nossa comunidade há espaço para os baitolas, obviamente que não serão membros, e nunca buscaram isto, mas terão a oportunidade de conviver entre os crentes e ficamos na esperança de que Deus possa mudá-los. Muitos dos que conheço são pessoas que lutam com a sua sexualidade. Conheço um que há trinta anos vive entre ser baitola e ser homem. Eles participam do culto com reverência, com sinceridade, alguns choram, contribuem financeiramente, participam dos almoços na igreja, nos passeios da comunidade e nunca agiram com desrespeito com qualquer pessoa, nem mesmo com os jovens da igreja. 

Num determinado domingo "choveu baitola" na igreja, para qualquer fileira da igreja que eu olhasse havia um, pessoas já conhecidas da comunidade. O evangelho que pregamos não é conformista, para ser membro da igreja é preciso que tenha nascido de novo e a vida transformada, mas não precisamos agredir com palavras, jogar indiretas, mas simplesmente tratá-los como gente.

Pastor

domingo, 7 de agosto de 2016

Pastor, meu marido não me come

Foi assim que se dirigiu a mim uma determinada senhora com seus 45 ou 50 anos pelo telefone: "Pastor, meu marido não me come!" No meio do assunto ela revelou que o pobre do homem era doente, diabético, e não conseguia atingir a ereção com facilidade. A mulher já estava sem sexo há meses e literalmente subindo pelas paredes. O que dizer? Me veio a mente a ideia de sugerir que ela fosse a um sexyshop e comprasse um pênis de borracha para na hora que estivesse com o marido na cama, ela usasse numa brincadeira entre os dois. Dias depois recebi um telefonema, a experiência tinha sido maravilhosa e um casamento foi salvo!

Pastor

A irmã tarada

Numa das igrejas por onde passei, uma mulher da comunidade vinha uma vez por semana conversar comigo, minha esposa sempre por perto, mas quase sempre ocupada com outras coisas. A conversa era sempre a mesma: a falta de atenção do marido. Com o passar do tempo a irmã começou a falar comigo sobre o que esperava que o marido fizesse com ela. Ela queria era sexo mesmo! É a sessão mudou de atendimento pastoral para um atendimento com um sexólogo, eu! Só faltava a mulher ter orgasmos ali, pois já chorava, contorcia-se e derrepente levantava e ia embora. Cortei as sessões e mandei ela testar a conversa com o marido na cama. Nunca mais apareceu!

Pastor

Lixo

Certa vez cheguei para pastorear uma igreja, tão logo assumi o "cajado", percebi que era necessário limpar a igreja e jogar fora algumas coisas avariadas. Descobri vários fogões, geladeiras, máquina de lavar roupa, televisão, etc. Tudo avariado. Quando perguntei um diácono como juntaram tanta coisa velha ele disse-me que os irmãos da igreja faziam doações de amor destes objetos à igreja. Jogamos tudo no lixo e avisamos na igreja que ofertas desta natureza só com aprovação pastoral e de um técnico na área.

Pastor

Tesoureiro

O coitado do pastor leva sempre a fama de ladrão de dízimo. Embora esta premissa seja muitas vezes verdadeira, há ainda pastores honestos. Sou um destes! Já o tesoureiro da igreja, um empresário dedicado e com um "grande amor por Jesus", chegou a minha casa um dia pela manhã para informar que a conta da igreja estava sem fundos. Assustado e desejoso de saber onde havia parado o dinheiro da igreja, o mesmo informou que precisava fazer umas melhorias na empresa, mas quando pudesse devolvia o dinheiro. No fim sumiu o tesoureiro e o dinheiro!

Pastor

Pegando todas

Num determinado dia apareceu um indivíduo lá na igreja, logo de primeira pediu para ser membro e obreiro. Como não temos o costume de agir desta forma, o aconselhei a continuar a frequentar a igreja e com o tempo as coisas se acertariam. 

No domingo seguinte não apareceu, veio no outro com um tom de deboche e disse-me: "Fui numa outra igreja e o pastor não só me aceitou como membro, nas também como diácono." O congratulei e deixei passar. Uma vez ou outra ele aparecia lá pela igreja para falar umas línguas estranhas para provocar is irmãos conservadores.

Não demorou muito, ele já com seus 30 anos arrumou uma namorada de 15 na igreja onde esrava, mas na calada mantinha uma mulher em casa com a qual tinha filhos. Não demorou muito para tudo vir a tona, foi uma baixaria danada, porrada entre as mulheres, acertos com os pais da adolescente, etc, a única coisa que não mudou é que ele continua diácono na igreja. 

Pastor

sábado, 6 de agosto de 2016

Gente complicada

O que mais têm nas igrejas são pessoas complicadas. Já encontrei quase que de tudo um pouco, mas vou limitar-me a mencionar alguns poucos casos.

Se o pastor é o primeiro alvo dos ataques destas pessoas complicadas, o segundo alvo é a sua família. Quando alguém decide ferir com atitudes outra pessoa não há quem segure. No caso da igreja, quando atacar o pastor já não basta, fere-se a sua família. Coisas ridículas como convidar todas os demais para uma festa e não convidar a família do pastor, ou pior, numa festa de aniversário de criança convidar todas as crianças da igreja menos os filhos do pastor. Isto com a única intenção de ferir os sentimentos das pessoas.

Há aqueles que acham-se donos da igreja, portanto, não aceitam pacificamente nenhuma mudança que não tenha sido aprovada por suas famílias. Um amigo pastor fez uma campanha em sua igreja para comprarem uns bancos novos para substituirem os antigos, assim cada família ou pessoa doou um ou mais bancos. Uma determinada família que havia doado dois bancos decidiram que os dois primeiros bancos ao lado direito da igreja lhes pertenciam, assim, quando chegavam na igreja, se nestes bancos estivessem alguém sentado era solicitado a trocar de lugar.

Em uma das igrejas por onde passei ficamos um ano sem líder de senhoras, pois três senhoras entraram num verdadeiro pé de guerra pela liderança das mulheres. Como não foi possível chegar a um acordo, passamos um ano sem líder de mulheres.

Outro caso de intriga foi quando tive que intervir na briga de duas mulheres que se desentenderam num velório de alguém da igreja que nada tinha a ver com elas e estavam a criar confusão. Aliás as confusões nos velórios são as piores. Há quem na última hora decide que o velório daquela pessoa, por não ter sido dizimista, não deva acontecer na igreja, ou por outra razão qualquer.

A disputa das pessoas por cargos, por ministérios, por chaves de igreja é outra mazela para deixar qualquer pastor aborrecido e sem ânimo. Há ainda aqueles que por serem excluídos da igreja por vida irregular, procuram de toda forma criar dificuldades na vida do pastor e igreja. Há até quem recorra a justiça ou a polícia para ser re-admitido como membro da igreja.

Um outro caso comum são aqueles que reclamam do culto, o som estava alto demais ou baixo demais, a mensagem foi longa demais ou tocou em pontos sensíveis e são vistas como recado indireto. Há ainda aqueles que dispensariam completamente a pregação. E ainda há aquele grupo de louvor que insiste em tocar o que quer, quantas vezes quiser e se o pastor reclamar, simplesmente fazem greve.

A ornamentação da igreja é outro problema, se não há reclamam, se há criticam, se as flores são de plástico é sacrilégio, se são flores naturais é desperdício.

É há ainda aqueles que querem batizar seus filhos e netos (descrentes) a qualquer custo, se o pastor se recusa, cortam as contribuições e tornam-se murmuradores.

A lista é extensa vou parar por aqui... e que Deus nos ajude!

Pastor

Pastor auxiliar

Numa determinada ocasião fui convidado por uma igreja para servir como pastor auxiliar numa igreja. O que eu não esperava era encontrar um pastor titular inseguro, invejoso e cruel. Na verdade a minha contratação fora mais uma exigência da igreja do que uma vontade do pastor titular. Como ele não conseguia fazer todo o trabalho sozinho, era mais que normal a contratação de segundo pastor.

Na entrevista, minha impressão sobre o pastor titular pareceu-me normal, mas bastou alguns meses de trabalho juntos para ver quão enganado eu estava. Aquilo que a igreja provia como obrigação, tal como salário, casa e carro eram lançados em minha cara como um ato de extrema bondade e misericórdia, conseguidos, segundo ele, com a sua intervenção em meu favor.

Logo percebi o qual mentiroso ele era, o quão invejoso, o quão inseguro e como buscava entre os demais lideres da igreja prejudicar a nossa imagem. Fiquei profundamente magoado, percebi que não havia condições de continuar ali e ter minha saúde mental e física em bom estado. Após cinco anos resolvi sair da igreja, fiquei a disposição que outra igreja surgisse, e foi o que aconteceu alguns meses mais tarde numa outra cidade.

Pastor

A competição

O número de igrejas evangélicas nunca foi tão grande como nos dias atuais. Antigamente os evangélicos concentravam-se em levar o evangelho aos não cristãos, aos católicos não praticantes e outros. Nos dias atuais com o fortalecimento doutrinário dos católicos, com o assumir desinibido dos praticantes das religiões afro-brasileiras tem tornado a competição entre os próprios evangélicos cada vez mais acirrada.

O fluxo entre os evangélicos de uma igreja para outra é impressionante. E boa parte daquelas que são abertas hoje, em especial estas independentes, são resultados de divisões de igrejas. Chegamos ao cúmulo onde um pastor compete com o outro para provar ser mais agraciado, com mais poder ou autoridade. Esta proliferação de igrejas nada tem a ver com o Cristo crucificado, mas com os pastores que querem ser glorificados e até enriquecidos às custas das pessoas.

Muitas vezes reuniões de pastores que deveriam promover a unidade entre as igrejas, como se não bastasse a hipocrisia, tornam-se em ambientes de ofensa e competitividade. O que se ouve é o seguinte: "Vamos manter a calma e procurar uma solução para não causar escândalo lá fora!" Enquanto que na verdade o cerne do problema, a ética, a motivação, a soberba, a má fé, a deslealdade continuam intocáveis pela hipocrisia.

Chegamos ao absurdo de vermos uma igreja de frente para outra, ou mesmo, uma igreja sobre a outra num mesmo prédio. Com toda sinceridade, nem estas igrejas, nem estes pastores estão em condições de prestar apoio pastoral a qualquer pessoa que seja. São pessoas doentes e que precisam de tratamento médico psiquiátrico.

Pastor

Relatórios

Quando uma igreja pequena é subsidiada por uma igreja matriz a pressão pelos números são grandes. É preciso apresentar resultados, frequência nas reuniões, número de pessoas batizadas e obviamente resultados financeiros. Isto não significa que as pessoas estejam interessadas em resultados financeiros para lucro pessoal, mas as igrejas matrizes querem o quanto antes cortar as ligações financeiras com novos trabalhos, o que traz sobre o pastor da igreja subsidiada um grande peso e tensão. O mesmo ocorre com missionários enviados por suas igrejas para outros países.

Tive amigos que não aguentaram esta pressão e acabaram por serem dispensados das suas funções, um outro resolveu assumir a autonomia da sua igreja, com um salário minúsculo, com filhos para criar, com uma comunidade que exigia uma atuação exemplar do pastor mesmo diante das dificuldades. Não demorou muito para que este pastor jovem, em bom estado físico, num dia inesperado sofresse um enfarto fulminante deixando para trás mulher e filhos.

Pastor


Primeiro trabalho

Meu primeiro trabalho foi numa comunidade bem longe de onde meus pais viviam. Uma comunidade pequena com recursos limitados e na ocasião eu recebia de salário uma quantia que equivalia na época à um pouco menos que salário mínimo. Isto sem qualquer ajuda de custo, ou seja, transporte e qualquer outra despesa ministerial deveria ser paga do meu próprio bolso.

Na ocasião, ainda solteiro, falar em férias era algo do outro mundo e para rever a família precisava economizar migalhas ao longo de vários meses para poder custear a viagem. A igreja matriz nunca enviou-me dinheiro para férias, natal ou qualquer outra coisa. Embora na matriz esta prática de beneficiar o pastor presidente e os seus mais próximos fosse comum.

A solidão, o sentimento de abandono, o esquecimento eram espinhos com os quais nos feríamos na estrada sem ninguém para nos confortar. Da igreja matriz chegavam sempre as cobranças de relatórios, cobranças por resultados sem nenhum benefício em troca.

Quando voltava a matriz por algum motivo e por alguns dias, havia sempre aqueles que batiam nos meus ombros e prometiam ajuda, amizade, um telefonema, coisas que nunca aconteciam. Era o velho ditado que não é visto não é lembrado. E infelizmente é assim mesmo no ministério pastoral.

Entretanto, não trabalhava com amargura ou tristeza, mas com alegria e contava com o pouco apoio daqueles que colocavam-se ao meu lado. Neste trabalho permaneci durante quatro anos.

Pastor

Vocação

A minha vocação veio a ser descoberta com a idade, ainda adolescente já tinha a consciência de que Deus tinha algum plano na minha vida. Quando concluí meus estudos tive que optar entre o seminário e a universidade.

A paixão cristã falou mais alto e segui para um seminário no interno no interior do Brasil onde dei início a minha formação. O seminário era muito rígido, rapazes para um lado e moças para o outro, nossos quartos eram compartilhados entre quatro pessoas e a porta deveria ser mantida sempre aberta durante o dia e destrancada durante a noite, quando um monitor passeava pelos corredores para certificar-se que tudo estava sob controle.

O tempo era dividido à moda beneditina, ora et labora (trabalho e oração), durante a tarde todos os alunos participavam da manutenção do seminário, desde ajudar no escritório à ajudar com o cuidados das cabras, ovelhas e galinhas que o seminário mantinha para sua manutenção. Os horários eram seguidos a risca, em especial à noite, quando todos precisávamos estar na cama na hora precisa, quando as luzes eram desligadas. E assim seguiam-se os dias durante os quatro anos de formação teológica.

Depois deste tempo, retornávamos para as nossa igrejas e ficávamos a espera de que nossos pastores e igrejas reconhecessem nossos chamados e então desse início ao processo de ordenação ao ministério. Uma espera que levaria dois, três ou até quatro anos. Como poderia simplesmente nada acontecer e o tempo no seminário ter servido apenas para formação pessoal e então deveríamos nos envolver com a vida comum se seguir em frente. Eu esperei quatro anos até que a ordenação finalmente pudesse acontecer, sendo dois deles como candidato ao ministério.

Neste tempo de espera e preparação a maioria de nós não tínhamos a mínima do que viria acontecer com nossas vidas. Entrar num seminário era literalmente dar um salto no escuro de um futuro incerto. A menos que, obviamente, fossemos filhos de pastores, em especial do pastor titular de uma igreja, ai sim, a ordenação estava garantida e em tempo recorde. Infelizmente muitas igrejas tornaram-se património familiar, sai o pai e entra o filho, a filha o genro e assim por diante, uma espécie de dinastia eclesial, onde aqueles sem ligações familiares ou alguma ligação fortemente afetiva têm pouca chance ou um caminho mais longo e árduo.

No meu caso experimentei dos dois lados, da burocracia e longa espera, bem como com a boa vontade do pastor e da igreja.

Pastor

Infância

Nasci num lar evangélico, meu avô fazia parte do coro da igreja com a sua viola afinadíssima, enquanto eu me espremia entre os bancos de madeira com meus olhos de menino atento à tudo. As reuniões bem pentecostais e animadas deixavam-me desperto e atento. Encantava-me observar meu avô e seus colegas no coro com seus mais variados instrumentos, meu avô dedilhava a viola como nenhum outro e tudo aquilo preenchia minha fantasia de menino.

Não consigo recordar de qualquer pregação daqueles dias, eram sempre a moda pentecostal, aos gritos e berros ensurdecedores. A pior parte era quando acontecia de aparecer alguém na igreja possuída por um demônio qualquer, naquela noite seria mais uma de pesadelos. Tratava-se de uma pequena igreja, que apesar dos excessos, era uma comunidade séria e sem manchas de alguma má conduta por parte de seus líderes em sua história.

Mais tarde com meus pais mudamo-nos para uma igreja maior, de tradição conservadora e tradicional, mas nem por isto menos interessantes. Com meus irmãos procurava dividir os primeiros bancos e com muita atenção e reverencia participávamos dos cultos ali prestados. Naquela época não existia o que há hoje, culto para crianças e até para adolescentes e jovens separado dos cultos dos adultos. A advertência vinha de casa, portávamos bem ou quando chegássemos em casa as coisas seriam resolvidas na base das correadas.

E foi assim, meus primeiros passos na fé cristã evangélica. Quando tinha dez anos já tinha consciência da minha fé pessoal em Cristo e com meus irmãos em casa brincávamos de igreja, revezando entre pastor e assistentes, e assim fomos crescendo, aos onze fui batizado, igualmente meus irmãos, embora nem todos tenham perseverado na fé.

Pastor